SE HÁ UM DEUS VERDADEIRO, COMO SABER SE JESUS É A SUA REVELAÇÃO?

Pergunta enviada pelo Samuel Silva Brandão, que gostaria de saber: Como saber se Jesus é a revelação do Deus verdadeiro?

Para saber se Jesus é de fato o Cristo e a revelação de Deus, devemos analisar o que se tem registrado sobre ele, confrontar isso à luz das evidências disponíveis e tentarmos, ainda que apenas pela metodologia dedutiva, chegarmos a uma conclusão equilibrada.

Não devemos esperar, contudo, que os elementos sobrenaturais, tais como nascimento virginal, milagres, ressurreição e etc., sejam provados. São ocorrências singulares que podem ser aceitas (e negadas) apenas pela fé, mas que, longe de ser desmotivada ou gratuita, conta com informações o bastante para compor bons argumentos a seu favor.

Citarei, então, três pontos que considero serem os mais interessantes a favor da fé em Jesus, o Cristo, a revelação de Deus.

1 - O Jesus histórico

Que houve um homem na história chamado Jesus, nem os principais acadêmicos mais céticos põem dúvida. Pelo contrário, admitem que, de fato, há evidências suficientes indicando sua real existência na história (leia mais aqui). É claro que aqui não se pretende validar os pontos sobrenaturais. A metodologia histórica apenas nos ajuda a concluir com bom grau de assertividade que Jesus existiu sim, na história, independentemente das hipóteses que se opõem ao relato dos evangelhos. 

2 - O "Trilema"

Em 1873, o pregador cristão escocês, John Duncan, em sua obra "Colloquia Peripatetica" apresentou o raciocínio que ele chamou de "trilema", segundo o qual, com base nas palavras de Jesus registradas nos evangelhos, ele poderia se enquadrar em apenas uma das três possibilidades: Ou era louco; ou era mentiroso; ou de fato era Deus. As opções não podiam ser simultaneamente verdadeiras ou falsas, pois apenas uma seria logicamente possível, enquanto as outras se tornariam automaticamente inválidas.   

O mesmo argumento foi ampliado em "Normal Christian Faith" de 1936, por Watchman Nee, mas só se popularizou em 1952 com C. S. Lewis, na obra "Cristianismo Puro e Simples". O ponto de vista de Lewis é especialmente interessante, pois a argumentação foi precedida por seu ensaio "What are we to make of Jesus?" (leia aqui), de 1950, na qual, valendo-se de sua especialização de historiador de literatura, corrige lacunas das propostas anteriores, entre elas, a possibilidade de os evangelistas terem arquitetado uma lenda sobre Jesus.

Em síntese, os autores chegam a mesma conclusão de que temos indícios suficientes para concluir razoavelmente que Jesus Cristo era, de fato, quem dizia ser, ainda que isso pareça, a primeira vista, por demais extraordinário. Ou aceitamos que de fato ele era e é Deus ou, então, negamos isso. Não há a possibilidade lógica do "meio termo" como aceitar Jesus apenas como um grande líder religioso ou grande professor moral. Ainda que não seja possível provar isso, pela fé baseada em evidências lógicas, podemos aceitar racionalmente que Jesus é o Deus único revelado para a humanidade.

3 - As circunstâncias ligadas ao relato da ressurreição 

Quando se observa o tema da ressurreição dentro daquele contexto refletido pelos evangelhos, bem como o paralelo dos registros históricos e conhecimento cultural daquele período, obtemos informações, no mínimo, interessantes. Eu fiz uma postagem sobre o assunto e ela pode ser acessada aqui. Todas as circunstâncias que estariam ligadas direta ou indiretamente a ocorrência de uma ressurreição, apontam espontaneamente para a sua veracidade. Desta forma, se Jesus ressuscitou, isso indica, então, a sua natureza divina.

Para o estudante sincero e honesto da pessoa de Jesus, esta é maneira pela qual podemos concluir se ele era ou não quem dizia ser. E estes três pontos já devem ajudar a entender que a fé nele é justificável, ou seja, há razões para aceitá-lo como o Cristo e como a revelação de Deus para nós.

Rafael S. 


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