OS EVENTOS HISTÓRICOS QUE DETERMINARAM AS CIRCUNSTÂNCIAS DOS DIAS DE JESUS

Já se perguntou quais foram os eventos e circunstâncias históricas que culminaram na realidade dos israelitas nos dias de Jesus? Nesta postagem vamos conhecer as principais ocorrências compreendidas entre o período do governo hasmoneu e o ministério de Jesus, as quais determinaram a realidade de seus dias.

Por volta do ano 163 a.C. o povo judeu esteve sob o governo dos Hasmoneus, após sucessivas campanhas militares bem sucedidas lideradas por Judas Macabeu, na conhecida “Revolta dos Macabeus”. Durante o governo de Alexandre Janeu (103-76 a.C.) divergências internas ameaçavam ainda mais um estado que, na época, já estava bastante debilitado e frágil. Janeu passou o reino hasmoneu para sua esposa, Salomé, cujo governo de 9 anos foi marcado por uma intensa guerra civil entre seus filhos Aristóbulo II e Hircano II. 

O governo hasmoneu assinalou a última vez em que os judeus foram governados por seu próprio povo, até a construção do moderno Estado de Israel, em 1948.

Naquele período já surgiam grupos como os dos saduceus e fariseus que divergiam fortemente entre si. Os saduceus representavam a classe alta do sacerdócio judaico com seus aristocratas associados. Buscavam proeminência tanto na esfera religiosa quanto na arena política e eram vistos por alguns como simpatizantes das influências culturais helenísticas. Já os fariseus, ou "os separados", surgiram como reação contra o helenismo. Esse grupo era caracterizado por sua observância estrita e intransigente da Lei Mosaica. Com o passar do tempo, seus membros conquistaram alta distinção aos olhos de muitos judeus, que os viam como defensores da religião pura.

Paralelamente a isso, o poder romano já crescia na região e logo dominaria o poder local. Com a chegada de Pompeu em 63 a.C. a conquista romana já era certa. A religião judaica e suas práticas, bem como a liberdade do povo seriam mantidas sob a condição de que não ameaçassem o estado romano. 

Gabínio, sucessor de Pompeu, governou a síria entre 55 e 57 a.C. Tentou dividir o território judeu em cinco unidade administrativas, mas foi obrigado a abandonar o projeto devido a reação violenta dos judeus ao plano, já bastante descontentes com o controle estrangeiro. Com a experiência, os romanos perceberam o potencial para rebeliões da judeia e, de fato, esta foi a realidade comum durante todo o governo romano.

Em 37 a.C. Herodes, o Grande, nomeado por Julio Cesar e eleito pelo senado para rei vassalo da Judeia, rapidamente concedeu o sagrado ofício do sumo sacerdócio a homens da diáspora, com fortes tendências helenísticas, fato que aborreceu profundamente os judeus. A fase também foi marcada pela corrupção no sacerdócio entre líderes religiosos e a negligência aos estatutos e decretos estabelecidos na Lei Mosaica. 

Além disso, o rei governou com severidade a região, fazendo exemplos públicos de castigos, a fim de desencorajar os levantes populares. Temos uma boa ideia da crueldade de Herodes com o relato da ordem para a matança de inocentes (Mt 2). Com a morte do rei, em 4 a.C., Arquelau sucedeu o governo, mas foi incapaz de manter a ordem e sua administração foi marcada por 10 anos de revoltas. Mesmo com Roma, mais tarde, declarando a Judeia província do império, nada era capaz de conter a insatisfação dos judeus. 

Finalmente, foi nesse cenário, marcado pela grande angústia do povo, pela corrupção no ofício sagrado e pela negligência dos líderes religiosos que Jesus Cristo nasceu e executou seu ministério. Apesar de contrariar muitos que esperavam dele um libertador político de Israel e frustrar a expectativa daqueles que clamavam pelo Zelote, que "encrava seu punhal no lado de um soldado romano", Cristo cumpriu a verdadeira missão pela qual veio: Derrotar as forças do mal, libertar o povo de seus pecados (Mt 1:21) e salvar a humanidade.

Rafael S.

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