PODE DEUS CRIAR UMA PEDRA QUE NEM ELE POSSA CARREGAR?

O paradoxo da onipotência é uma das mais famosas objeções ao atributo divino. Muitos críticos e céticos se valem dela para tentar argumentar e demonstrar que tal capacidade é falsa. A implicação clara é que, se Deus pode criar tal pedra, haverá algo que ele não poderá fazer, isto é, carregá-la. Logo, a onipotência seria uma concepção ilógica.

Eu vejo muitos artigos e postagens em blogs pela internet que buscam dezenas de formas para tentar dar uma explicação para esta objeção. Alguns, apesar de fazerem um “caminho longo”, até apresentam uma resposta satisfatória. Outros, porém, parecem ter dificuldades de observar que a resposta para isso é mais simples do que parece. Alias, com um estudo básico da Bíblia (aqui levando em consideração o atributo de Deus, o judaico/cristão, é claro) sobre a onipotência divina, percebemos rapidamente que o Paradoxo na Onipotência parte de uma premissa equivocada.

Veja: Quando afirmamos que Deus é “todo poderoso”, pela Bíblia verificamos que isso não significa necessariamente que ele possa fazer qualquer coisa. Ou seja, há coisas que Deus não pode fazer. Vejamos a seguir:

1º Devemos levar em consideração duas possibilidade de “poder” referente a Deus, a saber, “poder ativo” e “poder passivo”. Este, diz respeito a quem recebe a ação e aquele a quem a pratica. Nesse sentido, Deus, enquanto sujeito ao “poder passivo”, não é onipotente, pois nada pode acontecer com ele ou surpreendê-lo (Hb 4:13; Tg 1:13). 

2º Deus não pode fazer nada que fuja à sua natureza, caráter ou pessoa (1 Jo 4:8, 16; Tg 1:13, 1 Co 14:33). Ele não pode, por exemplo, deixar de amar, enganar, mentir ou cometer qualquer pecado. Também não pode criar ninguém igual a ele, deixar de ser Deus e etc.

3º Deus é criador lógico (Dt 32:4). Se ele criasse uma terceira margem para o rio ou um triângulo de quatro lados, ele não seria onipotente, mas ilógico. 

4º Deus é que tem a onipotência e não a onipotência que tem Deus. Aquele que possui o atributo é soberano sobre ele, de modo que o utiliza quando quiser e da forma que desejar. Alguns críticos (e muitos cristãos, inclusive) acreditam que o fato de Deus ser onipotente, implica que ele deva exercer esse atributo em qualquer circunstância. Isso é falso. 

Veja: Se uma pessoa possui um carro, então, caso queira, ela pode muito bem deixá-lo guardado na garagem e ir trabalhar de bicicleta. Ela usa o carro ou deixa de usá-lo quando quiser. Se ela tivesse que usar o carro em qualquer circunstância, então ela não seria soberana sobre seu veículo. Seu uso seria obrigatório. Da mesma forma, se Deus tivesse que ser onipotente em qualquer situação, então isso não seria um atributo sobre o qual ele é soberano, mas sim uma obrigação dele. A Bíblia não sugere isso.

Veja, então, que se a onipotência divina é questionada partindo de premissas bíblicas isoladas, geram-se pretextos para se alegar ilógica a onipotência de Deus. O paradoxo da onipotência, quando analisado à luz do que as Escrituras ensinam sobre esse atributo divino, perde o sentido.

Rafael S.

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