É RAZOÁVEL ACREDITAR QUE JESUS RESSUSCITOU?

Estaria o túmulo vazio?
Nesta semana em que se comemorou a páscoa falaremos sobre uma das crenças centrais do cristianismo: A categórica afirmação de que Jesus, o Filho de Deus, ressuscitou dentre os mortos. Seria isso verdade? Estamos diante de um fato histórico ou um relato forjado por seus discípulos? Seria a ressurreição uma metáfora ou um registro literal de uma ocorrência?

Antes de tudo, se faz necessário esclarecer um ponto, sobre o qual muitos céticos parecem se confundir, a saber, o método correto para se investigar o objeto de estudo. Ocorre que, quando falamos em analisar a questão do ponto de vista racional e lógico, muitos erroneamente supõem que seja apresentado um único conceito para “prova” ou “evidência”, quando na verdade, existem vários tipos de metodologia de pesquisa científica onde tais conceitos podem variar de acordo com área em que se estuda e a sua problemática.

Podemos citar métodos, por exemplo, como o Estudo de Caso, Pesquisa Laboratorial, Pesquisa Bibliográfica, Cultura Material, entre vários outros. Ou seja, em síntese e a título de ilustração, não podemos cobrar “provas” de um advogado da mesma forma que cobraríamos de um físico, bem como não se pede evidências para um historiador, da mesma maneira que se pediria para um biólogo. 

Perceba: O Método Científico, por exemplo, consiste em apontar um fenômeno como sendo verdadeiro, a partir da repetição do processo diante de quem possa assegurar que aquilo é real. Isto deve se dar em um ambiente controlado, a onde a hipótese possa ser observada e testada empiricamente. 

Porém, testar a ressurreição de Cristo nestas condições é algo impensável, pois ele é um evento histórico único e singular. Apesar disso, não significa que a ocorrência não possa ser investigada e nem que a sua aceitação demande apenas uma fé cega ou vazia, como alguns sugerem. Para isso, devemos aplicar metodologias adequadas para seu estudo que, neste caso serão os métodos histórico e dedutivo.

Por meio deles, são usados os mesmos critérios utilizados para estudar, por exemplo, se Alexandre Magno esteve realmente na Índia ou se Julio Cesar atravessou, de fato, o Rio Rubicão. Essa sugestão é do historiador britânico Michael Grant, especializado em história antiga e tradutor de vários clássicos latinos e do Dr. Wolfhart Pannenberg, um dos mais respeitados teólogos e filósofos do século passado. A reunião das informações históricas possibilitarão a construção dos argumentos lógicos. 

Com base nisso, quando se analisa todos os elementos que envolvem a ressurreição de Jesus Cristo, podemos chegar a várias conclusões, as quais se organizam favoravelmente a ocorrência. A seguir, serão destacados pelo menos quatro deles para que você possa pensar a respeito.

1º As disparidades dos Evangelhos Sinóticos – Muitos críticos afirmam que os evangelhos possuem erros e contradições acerca da ressurreição de Cristo, porém, ao contrário do que sugerem, isso é a melhor evidência que temos para a veracidade dos textos, pois (1) as discrepâncias são totalmente periféricas e não essenciais; (2) qualquer jurista pode confirmar que dois depoimentos sobre uma mesma ocorrência possuem irrelevantes divergências e nem por isso significa que as testemunhas estejam mentindo e (3) conforme proponentes historiográficos, isso demonstra que os relatos não foram arranjados ou forjados, mas pelo contrário, que são relatos originais, preservados tais quais saíram das mãos dos escritores.

2º As mulheres foram as primeiras testemunhas – Ainda partindo das afirmações dos críticos de que a ressurreição supostamente foi forjada ou inventada, podemos verificar que isso não possui fundamento. Os evangelhos relatam que as primeiras testemunhas da ressurreição foram mulheres, porém, no primeiro século, elas não tinham um depoimento válido perante um tribunal. Se os evangelistas quisessem forjar uma história da ressurreição para convencer alguém, então jamais teriam registrado mulheres como testemunhas oculares do ressurreto.

3º A ideia de ressurreição era absurda naquele contexto cultural e religioso – Se os discípulos quisessem alcançar pessoas para o cristianismo, forjando uma história convincente, então a doutrina da ressurreição jamais deveria ter sido cogitada. Os críticos e céticos argumentam que a morte de Jesus na cruz seria uma vergonha e uma decepção para um suposto movimento político-religioso. Então, para esconder a vergonha da cruz, supostamente os discípulos tiveram que criar uma doutrina que escondesse isso. Observando a cultura e crenças da ocasião, percebe-se que: (1) Seria mais lógico que os “conspiradores” aproveitassem a crença na metempsicose, alegando que a alma de Jesus fora encarnada em outro ser. Conquistariam os gregos. (2) Poderiam aproveitar a crença na imortalidade da alma. Conquistariam principalmente os pitagóricos. (3) Ou ainda, poderiam se valer da crença platônica, cuja alma deixa o corpo e vai direto para o além. Conquistariam seus muitos adeptos naquela região. Logo, relatar uma ressurreição, seria a mais frustrante conspiração que poderiam inventar, porque ninguém os seguiria. Não havia nenhuma razão para inventar isso.

4º Quanto tempo dura uma mentira? – Se eles sabiam que Jesus não tinha ressuscitado e tudo não passava de uma propaganda forjada, então como tiveram a coragem de serem martirizados (com mortes brutais) por causa dessa convicção? Das duas uma: Ou eram loucos (apesar de não haver absolutamente nada que sugira isso) ou de fato suas convicções eram sustentadas em algo realmente extraordinário, o qual os motivou a preferirem a morte violenta, a negar o que testemunharam com seus próprios olhos. Há quem diga, ainda, que a história da ressurreição foi inventada para que a nova religião se diferenciasse das demais e os apóstolos ganhassem algo com isso, mas a única coisa que tiveram em troca foi perseguição, sofrimento e morte. Não havia motivo algum para sustentar uma suposta mentira como essa.

Para isso, vale ser citada as palavras do jornalista Philip Yancey, autor do livro “O Jesus Que Eu Nunca Conheci” , que dizem:

“[...] os evangelhos não apresentam a ressurreição de Jesus de maneira apologética, com argumentos arranjados para provar cada ponto principal, mas, antes, como uma intromissão chocante que ninguém estava esperando, muito menos os temerosos discípulos de Jesus. As primeiras testemunhas reagiram como qualquer um de nós teria reagido.

E conclui:

Certamente os discípulos não dariam a vida por amor a uma teoria de conspiração remendada. Certamente seria mais fácil e mais natural honrar um Jesus morto como um dos mártires-profetas cujas sepulturas eram tão veneradas pelos judeus.

Em suma, o relato da ressurreição, tal como ele é e os ocorridos em relação ele, quebram todas as regras de uma propaganda ou história forjada. É verdade, sim, que mesmo pelo Método Histórico não conseguimos “provar” a ressurreição de Jesus Cristo, todavia, temos informações suficientes para considerar legítimo o testemunho bíblico acerca daquela ocorrência. Ao contrário do que alguns críticos sugerem, portanto, a fé em Jesus Cristo ressurreto e vivo está muito longe de ser um absurdo.


Rafael S.

REFERÊNCIAS

GRANT, M. Jesus: A revisão de um historiador dos Evangelhos. New York: Scribners, 1976.

MCDOWELL, Josh. Evidências da Ressurreição de Cristo. São Paulo: Editora Candeia, 1994

YANCEY, P. O Jesus que nunca conheci. São Paulo: Editora Vida, 1995.


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