CRIACIONISMO FOI TEMA EM ENCONTRO NO UNASP-SP

Entre os dias 21 e 24 de Janeiro, ocorreu o 8º Encontro Nacional de Criacionistas na Universidade Adventista de São Paulo (UNASP, campus de São Paulo), no qual reuniram-se mais de 350 participantes e especialistas em diversas áreas para discutir “A Complexidade do Mundo e as Digitais do Criador”.

Em uma prévia veiculada pela Revista Adventista, cuja matéria deve ser publicada em suas próximas edições, me chamou a atenção pelo menos dois pontos discutidos no evento, que serão citados e comentados a seguir:

Interpretação do Gênesis

O evento [...] contou com a contribuição de especialistas em Teologia, como o Dr. Richard Davidson, professor de Antigo Testamento na Universidade Andrews. Davidson mostrou que o cristianismo dispõe hoje de 50 métodos diferentes de interpretação bíblica, e que interpretar a Bíblia pode se tornar um verdadeiro “labirinto espiritual”. Para tanto, 10 princípios foram propostos por ele para auxiliar o intérprete da Bíblia quando confrontado com as últimas descobertas científicas. Esses princípios concedem à Bíblia o lugar de primazia no que diz respeito à busca pela verdade (sola Scriptura), e permitem que a Bíblia seja interpretada em sua totalidade (tota Scriptura). Empregando os princípios propostos, Davidson defendeu que os primeiros capítulos de Gênesis nos informam o quando, como, quem e o quê da criação. A leitura de Gênesis, portanto, não precisa ser poética nem mitológica, conforme advogam muitos intérpretes contemporâneos. Gênesis apresenta um relato literal da criação, informando como Deus deu forma ao planeta e o preencheu de vida.

Conforme o teólogo mostra, interpretar os dias da criação como longos períodos de tempo apenas acrescenta dificuldades à interpretação do relato que já tem provocado tantos debates teológicos nos últimos séculos. Em diversos textos da Bíblia, seus autores fazem alusão ao relato da criação, dando a entender que, o que está descrito ali é verdadeiro e literal. Interpretar o texto de Gênesis 1-3 de forma literal, tratando-o como um relato genuíno da criação, proporciona plena conformidade com o restante da Bíblia, como ressaltou Davidson. [...]”

Afirmar que o livro do Gênesis é um relato literal significa assumir que seus registros são históricos e, portanto, factuais. Não se exclui disso nem os 11 primeiros capítulos do livro e, talvez, é aí que esteja assentada a maior dificuldade de muitos em aceitar estes escritos como fatos na história da humanidade. Não será objetivo desse post, porém, discutir a historicidade ou não dos capítulos de 1 a 11 de Gênesis. A questão é que o Dr. Richard Davidson mostra a variedade de métodos de interpretação daquele livro, ao passo que, na realidade, seu conteúdo não dá margens para outro entendimento, senão o literal. O Gênesis, portanto, não apresenta elementos que o identifique como uma alegoria, fábula, ilustração e etc.

Não pude deixar de notar, também, a honestidade da Dra. Suzanne Phillips, chefe do Departamento de Ciências Biológicas e da Terra na Universidade de Loma Linda. Sobre o criacionismo, ela admitiu que:

“[...] a maior dificuldade que o criacionismo ainda enfrenta reside na datação dos registros fósseis. Conforme a datação convencional, os fósseis de dinossauros e outros organismos que foram desenterrados por paleontólogos datam de milhões de anos – um quadro que não se encaixa com a cronologia criacionista. Apesar de os cientistas estarem pesquisando esse assunto há décadas, até agora nenhuma resposta satisfatória para o problema foi proposta."

Infelizmente, há muitos criacionista, ainda, com sérias dificuldades de admitir que a questão da datação é uma lacuna, sobre a qual não há nenhuma explicação que seja, no mínimo, razoável. Ao invés de admitirem simplesmente que não há uma resposta para isso, se valem da desinformação e distorção de dados para tentar, desonestamente, invalidar tais métodos, cujos processos são extremamente rigorosos quanto a sua precisão.

Vale destacar, ainda, que o fato de termos lacunas na proposta criacionista para as origens, não é motivo suficiente para descartá-lo, como sugerem alguns. A teoria do Big Bang, por exemplo, também possui pontos sem explicação, mas nem por isso é descartada pela ciência. Não há respostas para tudo em nenhum modelo proposto, seja no campo cosmológico, biológico e, inclusive, no teológico. Nisso, a Dra. Phillips concluiu:

“[...] Portanto, cada novo desafio deve servir de motivação para a contínua busca por elementos que clarifiquem nossa compreensão das origens. Nosso conhecimento deve avançar, e para isso, precisamos aprimorar nossas técnicas de pesquisa, aprofundar nossa argumentação e expandir nossa compreensão da revelação divina.


(Rafael Schroder – Editor do Blog Deus em Foco.)

(Revista Adventista)

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