A HIPÓTESE DOCUMENTÁRIA

Quem escreveu a Bíblia? Esta, provavelmente, está entre as perguntas mais recorrentes quando falamos sobre aquele livro. Em princípio, trata-se de uma questão que não deveria gerar grandes dificuldades, tendo em vista que teólogos das mais variadas linhas de pensamento conservador, tendem a concordar que as Escrituras foram escritas por aproximadamente 40 autores, das mais variadas culturas, nacionalidades e em períodos de tempo diferentes. 

Os críticos, porém, dentre os quais também podemos encontrar muitos teólogos inclusive, contestam esse posicionamento baseando-se na hermenêutica do criticismo bíblico, uma das bases para a chamada “Hipótese Documentária” (ou Documental). 

Wagner Menke, do canal Menke's Channel no YouTube, que é um dos meus colegas ateus e companheiro de debates entre ateus e cristãos na internet, apresentou em  seus vídeos (clique aqui) esta hipótese, também conhecida como Teoria das Fontes, a qual será analisada no presente artigo.

Mas antes, gostaria de destacar primeiramente, que não será meu objetivo refutar o posicionamento de Menke ou a teoria em questão, mas sim, mostrar o outro lado desta discussão para que os internautas averiguem ambos os lados por si mesmo, e tirem suas conclusões de forma equilibrada.

INTRODUÇÃO - A HIPÓTESE DOCUMENTÁRIA

Desenvolvida por Julius Wellhausen, também conhecida como Teoria das Fontes, é a teoria, segundo a qual o Pentateuco seria resultado de uma composição de autoria, sendo nele identificadas ao menos quatro fontes principais, a saber, Eloísta, Javista, Sacerdotal e Deuteronomista. Segundo sua proposta, os escritos primários da Torá seriam caracterizados da seguinte forma: 

1 - A fonte Javista, conhecida pela letra “J”: Esta relataria diversas épocas diferentes, sendo originária de Judá, no sul do antigo Israel. Geralmente atribui a Deus o nome de Yahweh. 

2 - A fonte Eloísta, conhecida pela letra “E”: Essa também conteria relatos de diversas épocas diferentes, porém, seria originária de Efraim, no norte do Antigo Israel e, o nome atribuído a Deus, seria Elohim. Ambas as fontes teriam documentos tão antigos quanto o próprio surgimento do hebraico, enquanto língua gramaticalmente estruturada, por volta do Séc. X AEC. Baseando-se no Calendário de Gezer, seria o documento mais antigo, em língua hebraica. 

3 - A fonte Deuteronomista, conhecida pela letra “D”: Ela teria vindo dos círculos ligados ao ensino doutrinário com longos discursos e princípios reguladores. Segundo a hipótese, ela usa fontes literárias tanto do norte quanto do sul. Seu fechamento redacional teria ocorrido no sul por volta do período exílico (entre 597 e 538 AEC). 

4 - Por fim a fonte Sacerdotal, referenciada com a letra “P”: Seria a fonte dos escritos elaborados pelos membros dos grupos de sacerdotes que estiveram envolvidos no processo de compilação tardia ou final dos escritos bíblicos que chamamos de Antigo Testamento. Seria, ainda, uma fonte originada no sul de Israel e sua datação se aproximaria do período pós-exílico (a partir de 445 AEC). 

O uso das letras que caracterizam cada uma das fontes dá à hipótese documentária, o “codinome” JEDP.

ORIGEM DA HIPÓTESE

A Hipótese Documentária teve origem no final da renascença. Quando do início daquele período, vários autores gregos e latinos foram redescobertos no ocidente. À medida que novos manuscritos surgiam, cópias eram feitas para espalhar o seu conteúdo pela Europa, chance esta que não foi desperdiçada para a aquisição de novos conhecimentos.

Até antes do advento da imprensa, a propagação da informação era feita a mão. Devido a isto, muitos textos possuíam diferenças entre si, conhecidas como “Variantes Textuais”. Alguns deles vinham fragmentados, enquanto outros possuíam cópias mais extensas que as originais. Então, ao final do renascentismo, os editores resolveram compilar, editar e montar livros clássicos a partir dos manuscritos disponíveis e das variações que eles continham. À estas novas edições, agora impressas, deram o nome de “Texto Receptor”.

Nesse trabalho, os próprios acadêmicos da época, em suas análises das variantes textuais, decidiram quais textos comporiam ou não os clássicos. Em alguns casos, textos que não faziam parte dos originais acabaram sendo incluídos e, além disso, tiveram algumas ordens trocadas. Um dos exemplos mais conhecidos de alteração é o clássico “Ilíada de Homero”, obra esta quase que completamente desconhecida da Europa medieval. Só o que se conhecia dela eram trechos da história de Tróia, modificados de acordo com a ocasião. Outras modificações chegaram ao ponto de serem adaptadas às necessidades e costumes da baixa idade média.

Nem mesmo a Bíblia escapou disso. O teólogo Erasmo de Rotterdam, quando iniciou a publicação do seu texto receptor, decidiu fazer uma versão impressa do texto grego do Novo Testamento, a fim de igualá-lo a vulgata latina. Mas, a despeito disso, as versões contemporâneas da Bíblia fizeram a exclusão ou sinalizaram as alterações, de modo que os textos que lemos hoje estão de acordo com os originais.

Desta forma, alguns estudiosos da Bíblia e da literatura clássica, e não pensadores ateus como alguns supõem, concluíram que o mesmo trabalho de modificação ou adaptação textual que era feito na Idade Media, também teria sido feito na antiguidade. Tal ideia já vinha sendo concebida desde o século XIII, aproximadamente. Dentre os estudiosos precursores da hipótese, podemos destacar o médico e escritor francês, Jean Astruc. Baseado no texto de Gênesis, ele percebeu que Deus às vezes era chamado, em hebraico, de YHWH e às vezes de Elohim. Foi só em 1750, então, baseado na realidade editorial renascentista, que Astruc levantou a hipótese de que isso, talvez, também tivesse ocorrido na composição das Escrituras, isto é, possivelmente seriam narrações passadas paralelas, no que se refere a diferentes autorias, em diferentes épocas, tendo estes, escrito um livro e somente mais tarde os compilaram, tornando-os o atual livro do Gênesis.

A HERMENÊUTICA DO CRITICISMO BÍBLICO

A proposta da então chamada Hipótese Documentária chamou a atenção até mesmo de teólogos, especialmente dos não conservadores. Baseando-se no criticismo bíblico, a teoria não teve grandes dificuldades para ser aceita nos meios acadêmicos. Na verdade, antes mesmo de Astruc, alguns teólogos católicos já tinham tido problemas por flertarem com estas ideias que, posteriormente, comporiam a hipótese.

Em tese, a hermenêutica do criticismo bíblico deveria ter dificuldades com a teoria. Ocorreu que teólogos liberais tornaram parcial o que deveria ser pautado pela imparcialidade.

Dentre as definições dos proponentes do criticismo bíblico, por exemplo, destaca-se: 
O estudo e a investigação dos escritos bíblicos que buscam julgar e discernir imparcialmente o conteúdo destes escritos.
Do ponto de vista técnico, não há problema algum nisso e mesmo os teólogos conservadores tendem a concordar com esta característica. Na realidade, a própria Bíblia restringe para esta condição o seu estudo, tal como podemos observar em Deuteronômios 4:2, Isaías 28:10, Mateus 5:18-19, 2 Pedro 1:20-21, Apocalipse 22:18-19, dentre outros. Ou seja, as Escrituras não permitem, em hipótese alguma, interpretações parciais, pessoais e tão pouco tendenciosas. Seu estudo deve ser impessoal, reconhecendo sua autossuficiência explicativa e sempre levando em consideração o todo.

O conceito de imparcialidade do criticismo bíblico nas mãos dos teólogos liberais, porém, é bastante questionável. Eles tornam uma questão conclusiva, quando na verdade, grande parte dos acadêmicos concordam não haver uma resposta definitiva. É o caso, por exemplo, da alegação de que a Bíblia possui unicamente autoria humana, sem nenhuma origem ou inspiração divina. Muitos autores também argumentam que vários outros livros apareceram após a morte de Cristo e que se diziam inspirados, mas apenas alguns foram selecionados para compor a Bíblia, por razões políticas, ideológicas ou religiosas da igreja cristã.

Mediante a isso, estes autores parecem ser mais razoáveis em propor: “que esqueçamos o assunto de inspiração e aproximemo-nos da Bíblia apenas como um livro humano e nada mais. Ela pode até ter sido um dos mais famosos clássicos já produzidos pela humanidade, mas não pode ser reconhecida como a Palavra de Deus”.

Este tipo de abordagem possui uma falha perante o ponto de vista racional e até mesmo científico. Assim como, é necessário admitir, que também não é científico nos aproximarmos da Bíblia julgando-a, antecipadamente, inspirada por Deus sem que se busquem evidências para isso. Assumir que nenhum livro da Bíblia pode ser inspirado, porque vários assumiram essa postura, é uma posição baseada no preconceito gratuito.

O correto a ser feito é avaliar racionalmente a veracidade ou não da afirmação feita, e não, negar prioritariamente a possibilidade de que aquilo seja verdadeiro. Ou seja, se vários livros se dizem inspirados, devemos verificar na história se é possível ver elementos que comprovem ou ao menos evidenciem, ou ainda, desmintam essa afirmação. Somente após este processo de análise é que devemos assumir uma postura contra ou a favor a cerca do que o livro diz sobre si mesmo.

Neste ponto, os fatos parecem ir contra a postura convicta dos teólogos liberais. Pela historicidade científica é possível verificar elementos que apontam para a singularidade da Bíblia e, consequentemente, tendem a corroborar com sua alegação de ser divinamente inspirada. Como exemplo disso, podemos citar a sua unidade literária, suas profecias correspondentes a eventos já ocorridos que se mostram precisamente cumpridas, a sua capacidade de transformar vidas em todas as culturas e épocas, sua imutabilidade e preservação ao longo dos séculos e até milênios e etc. Além disso, a arqueologia ajuda significativamente a encontrar vestígios, que embora não estejam diretamente ligados aos eventos miraculoso da Bíblia, eles ao menos mostram o pano de fundo destes acontecimentos.

Estudar a Bíblia, partindo de um pressuposto de que ela seja um livro qualquer, de forma alguma pode ser encarada como uma abordagem imparcial. É a negação intelectual de todas as evidências que apontam para sua singularidade. É uma postura, portanto, questionável frente às definições da hermenêutica do criticismo bíblico.

O RESULTADO DA PARCIALIDADE NO ESTUDO DA BÍBLIA

Uma vez que se neguem as evidências que apontem para o caráter singular da Bíblia, os proponentes do criticismo bíblico procuram, com os conceitos da hermenêutica e heurística, descobrir em que época aqueles escritos foram feitos, como eles foram elaborados, a localidade de sua confecção e porque cada um deles foi produzido. 

A conclusão por este método parcializado gera elementos contrários ao posicionamento cristão, judaico e qualquer outro seguimento que se baseie na Torá como fundamento de sua crença. Como exemplo disso, podemos citar a alegação de que Moisés não teria escrito o Pentateuco ou nem poderíamos dizer que existiu de fato alguém com este nome; os primeiros textos hebraicos teriam sido escritos apenas por volta do século X AEC. Sendo assim, toda a suposta “estória” produzida anteriormente e boa parte da posterior, não passariam de uma coleção de antigas lendas do povo judeu, sem qualquer fundamento histórico que as sustente.

Já seria muito se fosse apenas isso. Suas conclusões apontam, ainda, que esses livros do Antigo Testamento foram produzidos por etapas ao longo de vários séculos, sendo a maioria por interesse política ou apenas ideológica. 

Em relação aos escritos do Novo Testamento, os críticos afirmam que os evangelhos foram reescritos ou reeditados várias vezes, no final do primeiro século e início do segundo. Ou seja, estes textos seriam igualmente posteriores, escritos por líderes da comunidade cristã com objetivos apenas políticos e teológicos. Estes líderes, portanto, para legitimar seus escritos, atribuíam artificialmente aos seus próprios textos, o nome de alguma figura histórica relacionada a Jesus, como por exemplo, Mateus, Lucas, João e etc.

O QUE GERA DIFICULDADES NO PONTO DE VISTA CRÍTICO?

Embora a Hipótese Documentária apresente certa razoabilidade, no que se refere às observações feitas para a sua elaboração, também precisamos reconhecer que a teoria apresenta algumas falhas vitais que geram dificuldades para levá-la em consideração de forma plena, frente à historicidade científica como um todo.

Desde sua formulação até os dias de hoje, o que se percebe entre os estudiosos da área é que não há um consenso absoluto sobre a hipótese. É notável, também, que uma parcela significativa dos acadêmicos a têm deixado de lado, assim como a parcialidade do criticismo bíblico, em vista das incongruências que apresentam, seja do ponto de vista histórico, filosófico e, principalmente, metodológico.

Das divergências que podemos encontrar na teoria, por exemplo, está a completa falta de evidências que sustentem de forma lógica sua proposta. Milhares de manuscritos antigos da Bíblia, tanto nas línguas originais como nas traduções antigas, já foram encontrados e nenhum deles oferece sequer prova substancial que o texto que temos em mãos, hoje, fora dramaticamente diferente daquele lido no passado.

Além disso, nenhum documento do passado, bíblico ou não, faz qualquer menção que o texto escriturístico tenha tido estas alegadas fases preliminares ou que esta seria apenas uma prática redacional comum em toda a antiguidade, tal como fora observado no renascentismo. Na realidade, o que se observa é exatamente o oposto. Os textos antigos aparecem tão sequenciais que especialistas em literatura clássica praticamente abandonaram o método crítico histórico ao analisarem, por exemplo, obras gregas e romanas, como a Eneida de Virgílio e a já citada Ilíada de Homero. 

A crítica literária, Helen Gardner, especialista em literatura clássica, afirmou por volta dos anos 50:
Nas análises de campo, percebemos que as teorias de composição autoral de textos antigos, as supostas primitivas versões de textos, os diferentes níveis textuais e etc., são hipóteses que temos descartado. Aquele tipo de análise crítico-literário é, hoje, um conceito ultrapassado. A tendência hoje é assumir que estamos diante de um único autor, a menos que tenhamos uma clara evidência externa que indique o contrário.
Contudo, os teólogos liberais ainda se sustentam nesta metodologia que, cada vez mais, tem sido reconhecida como falha ou, no mínimo, questionável. Até mesmo estudiosos das alas não conservadoras têm se posicionado de forma cética à hipótese. É o caso do respeitado professor John Van Seters, da Universidade da Carolina do Norte, desenvolvedor de uma pesquisa “A Bíblia Editada”, lançado em 2006, no qual questiona frontalmente a Hipótese Documentária. Ele conclui em sua obra que aquela teoria apresenta fundamentalmente o erro de anacronismo cometido pelos eruditos da ocasião, por transportarem artificialmente os feitos editoriais do renascentismo à antiguidade. 

As produções editoriais, com suas alterações de ordem, acréscimos ou exclusões, portanto, é um raciocínio que deveria ficar restrito apenas na realidade observada entre os séculos XIII e XVIII e, de forma alguma, pode ser transportada para outros períodos da história, a menos que se encontrem evidências plausíveis para isso.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Embora alguns estudiosos, como Seters, ainda sejam reticentes sobre a historicidade do Pentateuco, especialmente do Gênesis, obras como a dele sobre a Hipótese Documentária são reconhecidamente uma honesta admissão intelectual feita por alguém instruído na hermenêutica do criticismo bíblico. E por razões consideradas óbvias, estes pontos de vistas, pouco ou sequer são levados em consideração por aqueles que preferem manter sua total parcialidade sobre o assunto, apenas porque a tradição acadêmica assim o impôs.

A Hipótese Documentária ou Teoria das Fontes, mesmo sem apresentar um consenso absoluto, ainda tem servido de base para os principais críticos da Bíblia e, talvez, é justamente isso que tem dificultado que as discussões avancem sobre aquele livro, cuja historicidade e as afirmações acerca de si mesmo, têm se mostrado fiel e verdadeiro perante a historicidade científica como um todo.

Assim sendo, se os fundamentos dessa teoria apresentam-se como questionáveis ou incongruentes, os argumentos sustentados sobre ela tendem a ser duvidosos. É claro, porém, que reconhecemos ser a Bíblia uma obra escrita pelas mãos do homem, mas frente a sua impressionante singularidade, fato este reconhecido inclusive por ateus como Levi Strauss, em relação as tradições culturais sobre a criação relatada em Gênesis, fica realmente difícil pensar que ela tenha sido produzida caprichosamente apenas para fins políticos ou ideológicos. A transformação que ela gera no homem em todas as culturas e épocas é algo que não pode ser explicado por interesses autorais localizados e tão pouco por mudanças tendenciosas posteriores. É preciso admitir que a Bíblia tenha algo especial, algo este, que torna razoável acreditarmos que seus escritores não foram movidos por convicções próprias, mas sim, por algo externo. Por que não seria razoável, frente a todos estes fatos, crer que foi Deus quem os moveu para que falasse conosco? A mensagem bíblica para a humanidade é, certamente, muito superior às teorias que tentam refutá-la. Basta ter a sinceridade, humildade e honestidade para buscar entender isso, constatando que temos um Pai celeste que nos ama, se importa conosco e que, em breve, intervirá na humanidade com justiça, a fim de nos levar para a eternidade.

Rafael S.


REFERÊNCIAS

CRITICISMO BÍBLICO. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Cr%C3%ADtica_b%C3%ADblica>. Acessado 10 de Setembro de 2014.

CRÍTICA TEXTUAL. Disponível em < http://pt.wikipedia.org/wiki/Cr%C3%ADtica_textual>. Acessado em 10 de Setembro de 2014.


Citações autorais extraídas de Evidências NT. Disponível em < http://www.youtube.com/channel/UCDb1MVUkr_8kQ4mLfjBorGw> . Acessado em 10 de Setembro de 2014.


ILÍADA DE HOMERO. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Il%C3%ADada>. Acessado em 11 de Setembro de 2014.

JEAN ASTRUC. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Astruc>. Acessado 09 de Setembro de 2014.


Julius, WELLHAUSEN. Prolegomena to the History of Israe. Disponível em < http://www.gutenberg.org/ebooks/4732>. Acessado em 08 de Setembro de 2014.

Lília MARIANNO; Marcelo S. CARNEIRO. Bíblia e Cultura: Antropologia e Sociologia do AT. Rio de Janeiro: Eagle, 2013. Caderno Didático.


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