18 PERGUNTAS HONESTAS DE UM ATEU SINCERO (PARTE 5)

PERGUNTA 16: “Escrituras” se referem ao Antigo ou ao Novo Testamento?

RESPOSTA: o termo “Escrituras” se refere tanto ao Antigo quanto ao Novo Testamento (2 Timóteo 3:16; 2 Pedro 3:16). Ler João 5:39.

PERGUNTA 17: É dito pelos religiosos que toda a humanidade descendeu dos filhos de Noé. De qual deles os brasileiros descendem?

RESPOSTA: Não há uma pessoa hoje que seja “puro sangue” dos descendentes de Sem, Cam e Jafé. Todavia, espiritualmente somos descendentes de Sem por ele ser o ancestral de Abraão (Gênesis 11:26), o pai da fé (Gálatas 3:7).

Sem originou os povos semitas. Cam, os africanos. E Jafé os Europeus e Asiáticos. Sendo que o brasileiro é o resultado da miscigenação racial, fica difícil precisarmos de qual filho de Noé descendemos.

PERGUNTA 18: O ser humano é dividido em corpo e alma ou corpo, alma e espírito?

RESPOSTA: A Bíblia não apresenta uma visão do ser humano dicotomista (que crê que o ser humano é separado em dois: corpo e alma) e nem tricotomista (que acredita que o ser humano é separado em três: corpo, alma e espírito). A Bíblia apresenta o ser humano como sendo holístico. Recentes pesquisas no campo científico têm ajudado a confirmar esse conceito. A natureza humana (físico, mental e espiritual) é um todo inseparável e, por isso, para que tenha uma vida espiritual saudável, deve-se haver um cuidado com o corpo e com a mente. Esse conceito é baseado em 1 Timóteo 5:23, 24 – onde Paulo afirma que os três aspectos do ser humano precisam ser trabalhados para que cada um se prepare para a volta de Cristo; e em muitos outros textos, como, por exemplo, o Salmo 6:5, onde é dito que, após a morte, o ser humano não possui consciência alguma. Só há consciência, portanto, quando os três elementos – espírito (espiritualidade, desejo de adorar algo), a alma (mente, nesse texto) e corpo – permanecem unidos. Quando se separam, a pessoa (ou alma vivente, segundo Gênesis 2:7) deixará de existir e só voltará a uma existência depois da ressurreição dos mortos, como afirma 1 Tessalonicenses 4:13-18. Nesse momento Deus recriará e reunirá novamente os “três lados do triângulo”.

O dicotomismo (ou dualismo) é um conceito platônico que entrou na igreja cristã por influência de Agostinho. Por causa disso, grande parte das igrejas cristãs acredita numa existência após a morte, negando assim o holismo bíblico e diminuindo a importância da doutrina da ressurreição. Por causa de Platão o espiritismo também deixa de lado o ensino bíblico ao afirmar que “o mais importante é o espírito”. Isso que nega o ensino claro da Bíblia de que o corpo é sagrado para Deus (1 Coríntios 6:19, 20).

Sobre a entrada da doutrina da “imortalidade da alma” no cristianismo, disse o Prof. Presbiteriano Otoniel Mota:

A doutrina da imperecibilidade da alma não é bíblica, mas pagã. Nasceu na Grécia e propagou-se na Igreja, através de Platão, do século V em diante, graças à influência de Agostinho. A doutrina de sua natureza simples, uma, indivisível etc., não se mantém diante das concepções psicológicas modernas e da teoria mais racional acerca da propagação do ser humana, corpo e alma.” Meu Credo Escatológico (opúsculo). 1938, p. 3.

Então, como podemos explicar Hebreus 4:12? Realmente, alguns cristãos usam o texto para afirmar que a natureza humana é dicotomista. O detalhe é que Hebreus 4:12 não é um estudo sobre a natureza humana, mas, se constitui na base do argumento do autor para mostrar o poder da Bíblia (que ele chama de Palavra de Deus) na vida de uma pessoa. Ele afirma que a Bíblia é tão eficaz e cortante “como uma espada” ao ponto de “penetrar” e “dividir alma e espírito”. Essa expressão está relacionada à outra que vem a seguir: “juntas e medulas”. Portanto, vê-se no contexto que ambas são usados em sentido figurado, pois, as juntas e as medulas são inseparáveis para que o ser humano viva bem. Vanderlei Dorneles, em seu Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia informa muito bem sobre o objetivo do autor da carta aos Hebreus no uso de tais termos:

A divisão entre ‘o alma e o espírito” e “as conjunturas e os tutanos” descreve até onde penetra a “palavra” de Deus. O valor desta figura de linguagem radica em que “vida” e “alento” [espírito] são, pelo menos para os propósitos práticos, inseparáveis.

Quando entendemos que as palavras “alma” e “espírito” no original bíblico possuem várias traduções (princípio ativo que Deus nos dá para ficarmos vivos; vida, espiritualidade, pessoa viva, pensamentos, emoções, etc); e que nenhuma delas apresenta tais aspectos de nossa natureza como sendo “entidades imateriais”, podemos chegar à correta compreensão dos textos bíblicos que aparentemente dividem o ser humano em “dois” ou “três”. O estudo da Antropologia bíblica é fundamental para que conceitos gregos sobre o ser humano não influenciem nossas crenças e estilo de vida.

Recomendo a você a leitura de um dos melhores estudos já feitos sobre o assunto. O livro Imortalidade ou Ressurreição?, da autoria do Dr. Samuel Bacchiocchi, contém um estudo exaustivo dos textos bíblicos que tratam do assunto e opiniões de cerca de 300 eruditos de denominações adversas.

Estarei à disposição sempre que precisar de ajuda.
____________________ 
Na Mira da Verdade (Adaptado) - Neste link está disponibilizado o artigo original e completo. Caso queira mais informações sobre os assuntos abordados, entre em contato pelo e-mail conectandoaoblog@gmail.com

Clique nos links para ler: Parte 1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

QUANTOS ISRAELITAS REALMENTE DEIXARAM O EGITO?

O TRILEMA DE EPICURO E A ORIGEM DO MAL

OS EVENTOS HISTÓRICOS QUE DETERMINARAM AS CIRCUNSTÂNCIAS DOS DIAS DE JESUS